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segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Perito brasileiro usa software que detecta mentiras analisando expressões faciais






A mentira tem pernas curtas, diz o ditado. E, na era da tecnologia, elas são mais curtas ainda. Wanderson Castilho, perito forense em tecnologias digitais e diretor da empresa E-Net Security, em Curitiba, é no Brasil o equivalente ao dr. Cal Lightman (veja quadro), personagem do ator Tim Roth na série "Lie to me", capaz de perceber na hora que alguém está mentindo e desmascará-lo. Treinado nessa seara no Instituto para Treinamento de Análises Comportamentais (BATI, na sigla em inglês), nos EUA - por onde costumam passar agentes do FBI e da CIA -, Castilho tem também um forte aliado no software FaceReader, da desenvolvedora holandesa Noldus.

- A mentira é inerente à humanidade. O ser humano mente, em média, três vezes a cada 10 minutos. E está incluída aí a mentira social, por exemplo quando respondemos "tudo bem" mesmo quando estamos cheios de problemas - afirma Castilho. - A questão é que, quando você mente, seu cérebro percebe e não aceita essa negação da verdade: ele instintivamente reage com impulsos, e isso se traduz de várias maneiras - a pessoa pisca ou desvia os olhos, morde os lábios, mexe no nariz ou na orelha. São sinais enviados pelo cérebro para mostrar que ele "discorda" do que você está verbalizando.

É justamente sobre tais gestos que o programa FaceReader trabalha. Analisando a filmagem de um interrogatório ou entrevista em que o investigado está de frente para uma câmera, ele coleta com alto grau de precisão os gestos e expressões faciais da pessoa.

- Charles Darwin determinou que essas expressões que denunciam nossas emoções são universais, independente de raça, cor ou credo. Claro que há reações culturais: a mesma piada que me faz rir pode desagradar a outra pessoa, mas as expressões instintivas básicas são a mesmas para todo mundo. E essa é a premissa do FaceReader - diz Castilho.

A verdade está nessas microexpressões faciais que duram décimos de segundo, como no seriado "Lie to me". São elas que denunciam o que realmente está se passando na mente da pessoa e abrem o caminho para a verdade. Como são muito rápidas, nem sempre o olho humano consegue acompanhar, mas o software de varredura acompanha e cria uma base de dados em cima das contradições entre o discurso do interrogado e suas microexpressões. Assim, é possível avaliar se ele está mentindo ou não. Exemplo: se a pessoa diz que gosta de alguém e suas microexpressões indicam satisfação, prazer, alegria em 80% das vezes, é grande a probabilidade de estar dizendo a verdade. Mas, se esses mesmos 80% de microexpressões indicam nojo, incômodo ou desgosto, a mentira é o caminho mais plausível.

De acordo com o perito, que diz ter mais de 700 casos resolvidos desde 1999, a detecção das mentiras não se refere só a crimes, mas também fraudes em empresas e entrevistas de emprego.

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